O DIAGNÓSTICO DO TEA
- Dayara Coelho
- 5 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 21 de jun. de 2025

O que os números realmente revelam?
Nos últimos anos, os números relacionados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) vêm crescendo de maneira significativa — e isso tem causado dúvidas, preocupações e, ao mesmo tempo, reflexões importantes. De acordo com dados do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), em 2016 estimava-se que 1 a cada 69 crianças era diagnosticada com autismo. Já em 2023, esse número subiu para 1 a cada 36 crianças (CDC, 2023).
Mas o que isso realmente significa? Estamos vivendo uma “epidemia de autismo”? A resposta é: não necessariamente.
Entendendo o aumento nos diagnósticos
Esse aumento expressivo nos dados pode estar diretamente relacionado a diversos fatores que melhoraram o processo de avaliação e detecção precoce, como:
🧠 Aperfeiçoamento dos estudos científicos e identificação mais apurada dos sinais de alerta;
🔬 Evolução dos critérios diagnósticos, especialmente com a chegada do DSM-5 (APA, 2013);
👩⚕️ Capacitação de profissionais da saúde e da educação, que hoje conseguem identificar o TEA com mais precisão e segurança;
📚 Crescimento das pesquisas baseadas em evidências, que validam práticas eficazes de intervenção;
👨👩👧 Maior atenção dos pais e cuidadores aos marcos do desenvolvimento infantil, motivando uma busca mais rápida por ajuda profissional.
O olhar clínico faz a diferença!
Hoje, é cada vez mais comum que crianças com apenas 2 anos cheguem ao consultório apresentando sinais como dificuldades na comunicação (verbal e não verbal), ausência de brincadeiras simbólicas ou interativas e comportamentos considerados atípicos. Nesses casos, a hipótese diagnóstica de TEA é levantada com mais rapidez — o que permite iniciar um plano de intervenção ainda na primeira infância, fase em que o cérebro apresenta maior plasticidade.
Por isso, é essencial que médicos e terapeutas estejam preparados para observar o desenvolvimento global da criança: aspectos motores, cognitivos, sociais e comunicativos. A partir dessa análise, o encaminhamento precoce para uma equipe multidisciplinar faz toda a diferença na qualidade de vida da criança e da família.
Validação e acolhimento familiar
Outro ponto fundamental é:
A escuta atenta às famílias.
Os profissionais que atuam com diagnóstico e intervenção precisam validar as percepções dos pais, que muitas vezes são os primeiros a notar algo diferente no comportamento dos filhos. Além de oferecer respostas técnicas, é necessário acolher, orientar e apoiar essas famílias, que frequentemente enfrentam um turbilhão de sentimentos durante essa jornada.
Referências de estudos:
CDC – Centers for Disease Control and Prevention. Data & Statistics on Autism Spectrum Disorder, 2023.
APA – American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, 2013.




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